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jul
Os montes de conchas dos sambaquianos não eram apenas depósitos de lixo. No Sítio Arqueológico Sambaqui I no Rio Cubatão em Joinville/SC, foram encontrados espinhas de peixe, ao contrário do que pensava, a alimentação principal dos sambaquianos não eram os mariscos e sim peixes, sendo os bivalves sua segunda opção, é claro que os amontoados de conchas, caracterizam o lugar como uma espécie de marco cultural.

Locais de escavação demarcados para cada pesquisador.

Como já havia mencionado, estes povos realizavam os sepultamentos no próprio sambaqui. E pelas escavações realizadas, foi verificado que para as crianças havia um ritual especial durante o funeral, que pode ser comprovado pelo encontro de um colar com mais de 800 conchas em uma ossada infantil, além disso, as ossadas das crianças, possuem uma coloração avermelhada pelo ocre, o qual não se sabe ao certo se é uma rocha queimada ou outro tipo de mineral, que possivelmente era despejado na sepultura infantil, diferenciando nitidamente a coloração que pude observar nos sepultamentos que estavam visíveis, distinguindo crianças de adultos.

Observe os dois sepultamentos encontrados, a esquerda, note o tom avermalhado dos ossos da criança de 8 meses de idade, coloração diferente do adulto pela presença nítida do ocre.

Cada pesquisador fica responsável por 1 m2, tendo que escavar certa quantia durante o dia, para isso usam pás de pedreiros e pincéis para não danificar as estruturas encontradas, eles também dentro da escavação andam de meias sem qualquer outro tipo de calçado.

Um trabalho de formiguinha, delicado de testar a paciência dos mais afoitos.

As conchas retiradas, são colocadas em baldes, estas depois são lavadas e peneiradas para que possa ser visualizado outros vestigíos, como, ossos de peixes e de outros animais, sementes queimadas de palmito, enfim, restos de comida. Também é possível encontrar partes de cestarias confeccionada por estes povos.

Procurando outros vestígios entre as conchas dos sambaquis.

Nos montes de sambaquis, não existem evidências de moradias ou abrigos, talvez eles passassem o dia no sambaqui e no período da noite se refugiassem em outros locais, perguntei sobre isso há uma das coordenadoras da pesquisa e ela me respondeu que nada foi encotrando neste sentido.

Na minha mão uma vértebra de peixe encontradas entre as conchas, vi também dentes de peixe e coquinhos de palmito queimados.

Foi impossível não parar e imaginar como os sambaquianos viviam e se comportavam naquele local, seus afezeres diários, como procediam durante o funeral e agiam perante a perda de um membro.

Pedaço de ocre encontrado, repare a coloração avermelhada na pele, com uma substância para tingir.

Muitas perguntas sem respostas, tanto para saber, as escavações deverão ser reiniciadas em junho do ano que vem e já vou me colocar como candidata voluntária, só não sei se terei tanta paciência para este trabalho minucioso.

Daniela Lima

Trançado de palha encontrado nas escavações.

O debate de terça-feira sobre as figueiras exóticas da av. Beira Rio em Joinville/SC, foi bem interessante e proveitoso, amanhã participarei da audiência pública na câmara de vereadores sobre o caso, tentarei também escrever amanhã sobre o assunto.

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